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GLOBO Entre SP e Alagoas, um abismo na gestão das empresas BRASÍLIA. Um olhar sobre as companhias de saneamento mostra enormes disparidades entre os estados brasileiros. De um lado, há empresas com ações listadas na Bolsa de Nova York ou consideradas modelos a serem copiados internacionalmente. De outro, há quem não consiga sequer pagar suas despesas do dia a dia.
Segundo o Ministério das Cidades, de um total de 27 empresas, apenas sete são consideradas equilibradas: Sabesp (SP), Sanepar (PR), Copasa (MG), Caesb (DF), Cesan (ES), Saneatins (TO) e Embasa (BA). Já a Casal (AL) é apontada por fontes do mercado como uma das piores companhias do país.
A Cedae, por sua vez, é considerada uma empresa em fase de recuperação.
O presidente da companhia, Wagner Victer, disse que a companhia passou de um déficit mensal de R$ 30 milhões para um superávit de R$ 30 milhões e está se modernizando e ficando mais enxuta.
O presidente da Sabesp, Gesner de Oliveira, contou que a empresa — listada nas bolsas brasileira e de Nova York (a única da América Latina na área de saneamento) — é hoje a maior tomadora de recursos do FGTS. A Sabesp investiu R$ 1,9 bilhão em 2009 e completará, este ano, R$ 6,8 bilhões desde 2007.
— Além dos investimentos, houve também a redução de perdas (desperdício de água por falhas e “gatos” no sistema). Herdamos um índice de 32% que já foi reduzido para 26%. Trata-se de uma Ribeirão Preto a cada ano sem que precisemos de novos mananciais — afirmou Oliveira.
A Caesb, em Brasília, investiu em saneamento R$ 1,7 bilhão nos últimos dez anos, sendo que R$ 900 milhões vieram de recursos próprios. A cobertura de saneamento no DF é de mais de 90% e a empresa acaba de ser convidada pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) a reformular o sistema de saneamento arrasado por terremotos no Haiti.
— Planejamos investir mais R$ 2,3 bilhões até 2017, sendo que R$ 750 milhões estão voltados para a modernização do sistema e a construção de novas estações de tratamento de esgoto — disse o diretor de Engenharia e Meio Ambiente da Caesb, Cristiano Magalhães de Pinho.
A Casal, por sua vez, tenta reequilibrar suas finanças para poder fazer investimentos que melhorem a cobertura de saneamento de Alagoas.
Na capital Maceió, a cobertura de saneamento é de apenas 30%. No estado em geral, cai para 17%.
Segundo o presidente da Casal, Jessé Motta, a empresa não tem condições de tomar recursos porque está endividada. Ela acaba de se inscrever no Refis para tentar sanear as suas contas e refinanciar uma dívida tributária de R$ 370 milhões.
— Não há como fazermos investimentos.
Não temos como urbanizar terrenos para o Minha Casa, Minha Vida, por exemplo — reconheceu Motta.
(Martha Beck e Vivian Oswald)
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